São Paulo teve um domingo de sol forte. Na praça da Sé, poucos lugares de sombra serviam como esconderijo, mesmo assim os jovens da Arquidiocese foram chegando aos poucos e tomando conta de toda a praça.

Alguns trajavam camisetas com temas religiosos e denominações do grupo de jovens, de pastoral, de paroquia, de movimento ou nova comunidadeà qual pertencem, mas todos tinham em comum o mesmo questionamento “que vida vale a pena ser vivida?”.

Esse questionamento foi o lema do Dia Nacional da Juventude deste ano, celebrado domingo, 11. O evento serviu como uma das diversas atividades de preparação para a Jornada Mundial da Juventude e aconteceu pelo Brasil afora.

Na Arquidiocese de São Paulo, ele teve uma intenção a mais. O grito que ecoou nas vozes dos jovens foi uma súplica. Um pedido. “Chega de violência e extermínio dos jovens”, gritaram todos a uma só voz.

Muitos dos jovens que estavam na praça pintaram no rosto, com tinta vermelha, uma mão. Externaram no próprio corpo o desejo de que a cidade dê um basta na onda de violência que tem vivido. “Estamos sufocados de ver o jovem morrer. Não só morrer de morte matada, mas vê-los morrer sem as necessidades básicas, sem os serviços públicos e sem as políticas públicas que a juventude necessita”, afirmou a jovem Diane Zito, da Paróquia Imaculado Coração de Maria, Região Brasilândia.

Região Brasilândia que na mesma hora fazia uma passeata pacífica, carregada de dor, pois membros da Comunidade São José Operário, no Jardim Ana Maria, choravam a perda de dois jovens que foram assassinados.

No palco, os apresentadores leram a mensagem de o bispo auxiliar da Arquidiocese e vigário da Região Episcopal Brasilândia, dom Milton Kenan Júnior. Em um dos trechos da mensagem intitulada “Pela não violência já”, o bispo destaca que a sociedade teme pelo amanhã.

“Alguns episódios num passado recente nos deixam traumatizados, imaginando que poderemos assistir, hoje, cenas de truculência contra a população mais pobre e desprotegida. Seria lamentável a criminalização das populações da periferia da cidade de São Paulo, ou seja, que os ‘culpados’ da barbárie que sofremos fossem os negros, os pobres e os jovens”, escreve em um trecho da nota.

Na homilia, o arcebispo metropolitano, cardeal dom Odilo Pedro Scherer, destacou que para os cristãos o “ódio e a violência não são aceitáveis. Não é a solução para os conflitos. Devemos condenar isso abertamente e nunca nos conformar com a violência”.

O Arcebispo destacou que o quinto mandamento da Lei de Deus é bem claro. “Não matarás”. E que “quem matar seu irmão deve dar contas a Deus”. Dom Odilo afirmou que muito lhe entristece saber que muitos dos assassinados nesta onda de violência são jovens.

Ao final da celebração, o cardeal convidou os fiéis a rezarem pela paz. Com um forte grito, os jovens repetiram duas bem-aventuranças e a uma só voz falaram bem alto o quinto mandamento: “Não matarás!”. O show continuou após a missa, mesmo debaixo da forte chuva que caiu à tarde.

Notícia publicada no site da Arquidiocese de São Paulo e no Jornal O São Paulo: http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/?q=node%2F199098

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