“Não te chegues pra cá, tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que pisas é solo sagrado” (Êxodo 3;6)

O chão de Perus também é chão de luta que não pode ser esquecida para que não deixemos que a história se repita novamente. Chão de sofrimento e opressão com o qual nós jovens e cristãos não podemos deixar de nos solidarizar.

O bairro onde irá acontecer a MISSÃO JOVEM 2015 é lembrado pela vala clandestina do cemitério Dom Bosco e nos faz refletir sobre o chão em que pisamos e no qual vamos fazer nossa missão este ano.

Foto: Agência Brasil

Foto: Agência Brasil

Foi no começo dos anos 90 que foi descoberta uma área secreta no cemitério Dom Bosco. A vala clandestina havia sido utilizada durante a Ditadura Militar (1964-85) no Brasil para depositar corpos de pessoas mortas pelo regime. Mais de mil ossadas foram encontradas.

Uma CPI foi instalada na Câmara dos Vereadores para buscar informações sobre o ocorrido, da qual resultou um relatório. Familiares de desaparecidos políticos e entidades de defesa dos direitos humanos, como a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, pressionaram pela investigação. A Escola do Parlamento da câmara irá dar início na terça-feira (8) que vem curso sobre a Ditadura Militar, que tratará em uma de suas palestras sobre a vala de perus. O assunto é atual pois espaço sobrevive ainda hoje como memória do período em que os brasileiros foram cruelmente reprimidos pelo Estado, assim como a repressão também continua com o extermínio diário dos jovens pobres e negros nas periferias de nosso país e que a PJ e movimentos têm protestado tanto contra.

Mesmo descoberta, a vala clandestina ainda rende polêmica e necessita de respostas. O relatório da CNV (Comissão Nacional da Verdade) do ano passado não a mencionou, mesmo com a sua importância. Ex-presos políticos da ditadura e membros da comissão estadual criticaram a omissão. As ossadas foram transferidas no último mês de setembro para sede do Ministério Público Federal de São Paulo, para seguirem para análise na Unifesp. Estima-se que se possa identificar até 20 desaparecidos políticos enterrados como indigentes pela ditadura.

O Povo de Deus não pode ficar fora deste debate e deixar de relembrar seus mártires. A paróquia Santa Rosa de Lima, que irá receber nós missionários pejoteiros, celebra todo dia 2 de novembro, no cemitério Dom Bosco, a Eucaristia para fazer memória dos mortos e desaparecidos políticos que foram ali enterrados.

Que nós jovens façamos compromisso com esta história e sejamos uma “Juventude sendo vida e missão neste chão!”. Pois, como diz também o lema da #MJ2015: “Quando as mãos se entrelaçarem, vida nova há de brotar”.