São mulheres, não eram apenas elas, mas tinha nome, Maria e Maria Madalena, estas se atentaram, escutaram o anjo que anuncia a Ressurreição de Cristo. E ele fala para elas voltarem a Galileia, e anunciar que Cristo ressurgiu. Se atentar onde Deus se manifesta e onde ele é negado, é pensar como construir e se reconstruir na Galileia não é algo fácil exige que a gente se entregue aos mistérios da fé da vida. A morte de Jesus trouxe muitas inseguranças, porém quando ele ressurge seu primeiro pedido é do cuidado, o de voltar para casa, mas estar preparado para sair em missão e encontrar as diversas realidades. Pisar no solo sagrado da Chapada do Araripe, foi olhar para essas diversidades das Galileia e me reconhecer enquanto Galileia.

ACERVO PESSOAL GABRIELA STEPHANIE“É preciso mudar muito para permanecer a mesma”

            Acreditem esse processo é como retirar as camadas da cebola mexe com nossas profundezas, com os nossos mistérios desconhecidos por nós mesmo. Voltar e rezar o texto de (Mt 28, 1-8) foi olhar para o muro entre a vida e a morte, foi revisar quais os muros que construo em mim e não consigo ir, ou perceber que as vezes estamos paralisados como os guardas que têm medo e ficamos como mortos. Mas quando volto para as minhas Galileia e tomo dimensão desses medos, é o momento de ir, e compreender que não dá “para encaixar quadrado na bolinha”, E que não é o fim da história quando vamos ao túmulo, mas é o momento de retomar nosso referencial utópico para fazer florescer o Reino diante da Ressurreição.

Na caminhada “há temores e alegria” (Mt 28,8) junto, pois, pensar o caminho é pensar a Galileia, é olhar para a gente e para as/os nossas(os) e entender odesafio a partir de uma nova perspectiva, não aquela já conhecida. Jesus a encoraja para a missão de se colocar a caminho, a tornar os invisíveis visíveis. É diante dessa inquietação de ser e reconhecer a Galileia que eu resisto e acredito que mesmo na seca tão forte, no chão mais batido, no cacto espinhoso sempre há de brotar uma flor.

            Assim como Maria Madalena, carrego alegrias e temores desses dias vivênciados e o que eles ainda reverberam em mim. Mas das poucas certezas que tenho, aprendi que o amor da luta, assim como o amor de Cristo pela construção do Reino é mais forte do que aquilo que nos impede de caminhar. Pois precisamos romper as barreiras de uma sociedade que foi construída a partir de uma áurea moralizante em que, o(a) outro(a) é inimigo(a) e não há alteridade, pois estamos inseridos numa lógica de Estado de Guerra que permeia as condutas e subjectividades alheias, nós somos filhos dessa moralidade.

          A subida ao Horto do Padim Cícero, final de tarde, o sol se pondo, foi nessa mística que as terras do Cariri me proporcionaram, olhar para esse Cristo Libertador que não dita dogmas, mas se mostra tão humano que se torna divino no decorrer do seu caminho e que ele vai se construindo a partir das relações com a/o outra(o). E foi na descida do Horto que reafirmei e ressignifico em minhas palavras o que o final do capítulo 2, versículo 10 da Carta aos Gálatas, a afirmação e opção pelos pobres, não está num nível de optar, pois não é opção é compromisso, se negamos isso deixamos de ser cristãs e cristãos. Uma Igreja que não opta pelos pobres não é a Igreja de Jesus.

          A Pastoral da Juventude ao escolher a partir de muito diálogo, conflitos, escuta, reza escolheu suas 5 prioridades baseada na Cristologia da libertação, num Cristo que não legítima a opressão, mas apoia a libertação de todas e todos. E é nessa proposição diante das adversidades, conflitos, desafios que a Pastoral da Juventude caminha e se propôs/propõem a ir as diversas Galileia, é lá onde estão os pobres, mas também se converter as Galileia, e esse é um convite que cabe a nós acolhe-lo. E mesmo diante de tantas dores, dilemas e angústias, há muita esperança, pão e celebração da vida nas nossas Galileia.
Trago das terras do Cariri “o sonho, esperança para alimentar quem quer resistir; é gente amiga, homem e mulher” e sei que juntas e juntos diante dessas novas prioridades, mas com o referencial de nos colocar a caminho com o referencial utópico no peito e que sem amor, tesão não há revolução. E se nessa caminhada nos ferirmos, escutemos Madalena que nos chama a voltar para a Galileia, “dos nossos afetos, nos abraçar, nos beijar, aconchegar, ungir nossos corpos as vezes desfalecidos com o óleo do toque carinhoso, do abraço apertado” (Couto, pag 18). Sintam-se abraçados e ungidos com o óleo do carinho e agradecimento de dias tão fortes e bonitos que me fizeram flor onde havia cactos.

 Por Gabriela Sthepanhie
Membro da Coordenação Arquidiocesesa