A forma velada em que o racismo se apresenta no nosso país, diferente de outros lugares do mundo, perpetua as mais diversas formas de violência estrutural contra a população negra. Impulsionado pelos processos históricos e econômicos de desigualdade, nos levando a naturalização destas violências, ratificando que ainda temos um longo caminho a fazer no que se refere à superação deste pecado estrutural.

Apesar de algumas conquistas, realizadas por meio de muita luta social a discriminação racial ainda é cotidiana. No último final de semana as redes socias, Instagram e SnapChat, retiraram temporariamente do ar o pacote de GIFs, aquelas figurinhas animadas, por denúncias de racismo, as mesmas alegaram um bug no sistema de filtro de moderação e pediram desculpas pelo ocorrido.

             E o seu sistema de filtro de moderação tem funcionado? Ou ainda esta deixando passar brincadeiras e apelidos que associam pessoas negras a macacos? Você ainda acredita que beleza tem um padrão e é questão de gosto? Sugere que todo bandido tenha a mesma cor de pele?

Continuemos denunciando e lutando para que não sejamos mais a terceira maior população carcerária do mundo, que nossas galiléias deixem de ser banhadas diariamente com sangue de dezenas jovens negros e empobrecidos, sobretudo neste momento tão importante em que a PJ do Brasil opta por uma campanha nacional que enfrenta os ciclos de violência contra as mulheres, Ivone Gerbara nos provoca: “Ama-se a Virgem distante e próxima da intimidade pessoal, mas não se escutam os clamores de mulheres de carne e osso.” Com atenção especial recordemos das Mulheres Negras que se encontram na base da pirâmide social.

Mulheres estas que além de sofrer com as opressões geradas pela construção social de gênero, são também atingidas de forma direta pelo projeto de extermínio da população negra, carregando o peso do luto, objetificação, hipersexualização, preterimento, despesas familiares, a humilhação da revista vexatória, mortes evitáveis por falta de atendimento nas maternidades e como justificar o aumento de assassinatos de mulheres negras.

As mulheres mães solos e abandonadas como Haggar, também como Maria que viu o braço do estado torturar e matar o proprio filho, viúvas como Rute e Noemi que precisam encontrar uma forma de sobreviver depois de perder o companheiro; filhas que se tornam orfãns como Ester, irmãs como Marta e Maria que choram a morte dos seus irmãos.

Só será possível a superação do racismo quando não mais nos silenciarmos diante das violências estruturais que nos cercam. Com o reconhecimento de que o racismo perpassa todas as nossas relações sociais, inclusive na nossa bolha pastoral, isso é primordial para fazermos o debate aberto e maduro acerca desta problemática que quando não mata de morte matada o faz pelo olhar e fala preconceituosa, por meio da fome, abandono social e humilhação constante.

É nosso dever lutar pela vida vida destas e destes jovens, não deixemos que a superficialidade de gritos “Diga não ao racismo” ou “Racismo é crime” que até os meios de comunicação golpistas ecoam, permeiem nossas formas de lutar, olhemos para esta realidades com criticidade e maturidade que o nosso compromisso com a causa do reino exige, Ângela Davis diz “Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista.”

Sejamos de fato sal e luz, imagem e semelhança de Deus, na superação das violências como a CF deste ano nos convida, e a tudo que investi contra e machuca as “Galileias” juvenis, não esqueçamos o que ele nos disse: Lá vocês Me encontrarão! Lá tudo faz sentido!

Links utilizados na reflexão do texto:

*Objetificção: https://www.google.com/…/a-objetificacao-da-mulher-e-…/amp/…

* Hipersexualização: https://www.google.com/…/hipersexualizacao-da-mulher-…/amp/…

* Preterimento: https://www.google.com/…/sobre-a-solidao-da-mulher-ne…/amp/…

Daiane Zito – Graduanda de Comunicação Social, militante da Pastoral da Juventude na Região Epsicopal Brasilândia, Arquidiocese de São Paulo e a Serviço da CRPJ Regional Sul1.